Estou em 2011 prestes ser empurrado (junto com a minha família) para o mesmo pântano em que os meus pais viveram em 1983.
Estou farto de ter sempre os mais medíocres, os piores dos MAUS, a escória dos portugueses a governar isto já lá vão exactamente 37 anos. Eu até percebo as raízes do mal, a serio que percebo. Estudei a coisa, pensei sobre ela longas horas, tentei enquadrar, contornar, mudar o que achava poder, mas carago basta o que basta!
Estou farto de tentar avançar, tentar fazer melhor. Não dá, ninguém quer. NINGUÉM quer o melhor para Portugal! Nem partidos, muito menos corporações e ainda menos os cidadãos. Mas todos querem o melhor para eles, agora, já, quais literais iletrados canibais. Comam-se as galinhas todas ao jantar e amanhã todos irão ralhar e apontar dedos porque não há ovos. E a solução, iluminada e aplaudida, será: comer as vacas. No nosso âmago somos mais tribais que cristãos e somos assim, há 800 anos, incrível!
Estou farto dos que têm capacidade mas por preguiça, comodismo, falta de tempo, não interessa! nada fazem para mudar.
Estou farto de ser português em portugal (com 'p' muito pequeno).
"Muda de vida antes que a vida te mude" - Nada mais certo de citar em mais um dos já incontáveis dias de vergonha nacional.
Mudar Portugal implica uma larga maioria de todos nós mudar interiormente, mudar perante nós próprios, renunciar à nossa velha Portugalidade, ao nosso conformismo fatalista, ao Fado se for preciso!!! F,.d.-se a Amália que já estorva a porra da velha.
Mudar uma nação implica ceder, prescindir, renunciar, abdicar, etc. verbos duros, negativos no curto prazo, libertadores inovadores a médio-longo prazo.
Mudar implica que cada um desenvolva o seu próprio espírito-critico até ao limite das suas capacidades e actue (sim actue, em conversa de café damos 10-0 ao Brazil) sobre o que esta dentro do seu alcance. Poucos podem almejar mudar o mundo sozinhos, mas TODOS podemos mudar o nosso prédio a nossa rua, se calhar alguns, não muitos juntos podem mudar o nosso bairro, uma pequena associação pode mudar a nossa cidade, uma sociedade civil critica e activa pode mudar o nosso País.
Pensem no que fizeram de mote próprio pelo vosso prédio no último ano sem serem "obrigados" ou "convidados" (pagar as quotas conta? não sei, talvez...)
Pensem no que fizeram de mote próprio pela vossa rua sem serem "obrigados" ou "convidados" (apanhar papeis do chão conta. Levar o cão à rua não conta, e deixar a bosta no sitio conta negativos!)
Pensem no que fizeram de mote próprio pela vossa freguesia sem serem "obrigados" ou "convidados" (participam nas assembleias, nas comissões, nas associações de pais?)
Pensem no que fizerem de mote próprio pela vossa cidade sem serem "obrigados" ou "convidados" (usar menos o carro conta)
Pensem no que fizeram de mote próprio pelo vosso País sem serem "obrigados" ou "convidados" (apoiar a selecção NÃO conta!!! Pediram sempre factura? Leram os manifestos políticos de quem lidera e que faz oposição? Questionam os media? Apoiaram com tempo ou $ iniciativas civis: ecológicas, sociais, recreativas? Ir de ferias cá dentro em vez do estrangeiro? Tanta coisa ... ah, almoçaradas não conta, muita conversa e zero de acção!)
Acima de tudo pensem na vida em toda a sua longevidade (inc. filhos) antes que a vida se vos esvaia por entre os dedos, um dia de cada vez.
PS: Hoje, agora, vota-se o PEC4. Bastava que 19 deputados de qualquer cor, não interessa qual ou quais, tivessem uma réstia mínima de espírito-critico capaz dos elevar acima da mediocridade geral para evitar um desastre financeiro e económico ao País (País = cidadãos comuns. Os deputados nunca sofrem na pele os resultados negativos dos actos que praticam). 19 são 8.25% do total de 230 marmelos. Temos essa capacidade de sacrifício politico no hemiciclo? Quem é capaz agora, lá onde os meninos brincam a ser homens, sacrificar parte de si pelo País, de se elevar acima do partido, de ladra ao macho-alfa e ser escorraçado da matilha em prol duma vida menos difícil para todos os Portugueses? 0, Zero, nenhum.
(e sim, eles são livres de votar individualmente segundo a Constituição mas quase nunca o fazem por motivos culturais óbvios)
Para termos deputados com D-grande temos de ter pessoas com P-grande, cabe-nos a cada um de nós sermos o máximo que conseguirmos no âmbito mais lato possível, de todos os ângulos sociais (pato-bravo é rasca, não conta, xico-experto é chunga, não conta, burguês-acéfalo é cómodo, não conta ...). Qualquer mudança social séria vem da base social, dificilmente para não dizer nunca, da aristocracia.
Mais uma vez (e sempre): Muda que o mundo mudará contigo.
Ric